Pesquisadores
da
Universidade de Monash
(Clayton, Austrália) liderados pelo
Prof. James Whisstock
descobriram uma estratégia inovadora que poderá revolucionar
o tratamento da
malária.
A pesquisa, realizada em colaboração com o Professor
John Dalton da
Universidade Tecnológica de
Sidney, proporciona uma nova abordagem para o
tratamento e controle da malária, doença contraída por
300-500 milhões de pessoas por ano, que provoca cerca de 2
milhões de mortes em todo o mundo.
Em
trabalho publicado on-line
em 5 de fevereiro de 2009 pela renomada revista científica
PNAS
(Proceedings of the National Academy of Sciences of the
United States of America), os
pesquisadores relatam que foram capazes de desativar os
estágios finais do metabolismo de digestão da hemoglobina
pelo
Plasmodium,
parasita responsável pela doença.
As aminopeptidases do parasita são responsáveis pela
digestão da hemoglobina nos pacientes infectados e são
essenciais para a obtenção de aminoácidos que sustentam o
crescimento dos mesmos nos eritrócitos. A inibição dessas
enzimas causa a morte do parasita por falta de nutrientes
(“morre de fome”).
Neste trabalho, os pesquisadores caracterizaram as
estruturas não só da aminopeptidase PfA-M1, mas
também de seus complexos com um inibidor genérico
(bestatina) e com um análogo dipeptídico fosfinato (hPheP(CH2)Phe).
Isto revelou características essenciais para o funcionamento
da enzima, em seu sítio ativo, e que podem ser exploradas no
desenvolvimento de novos protótipos antimalariais.
Este novo alvo terapêutico possui vantagens em relação aos
fármacos atuais. Segundo a Dra. McGowan, uma das co-autoras
do trabalho:
“Uma única picada de um mosquito infectado pode transmitir o
parasita da malária humana para o sangue. O parasita da
malária deve, então, quebrar proteínas sanguíneas, a fim de
obter nutrientes. O Plasmodium realiza as primeiras etapas
da digestão no interior de um compartimento especializado,
chamado vacúolo digestivo - este pode ser considerado como
um “estômago”. No entanto, a enzima que temos estudado
(conhecida como PfA-M1), que é essencial para a viabilidade
parasita, está situada fora do vacúolo digestivo o que
significa ser um alvo mais fácil para um novo fármaco.”
Em
entrevista a rede ABC
australiana, o Prof. James Whisstock diz, ainda,
que novos alvos
terapêuticos são necessários para o combate eficaz à doença,
já que vários fármacos antimalariais atuais possuem como
alvo o mecanismo de entrada do parasita nas hemácias e que
um dos problemas dessas terapias é o desenvolvimento de
resistência.
O
artigo na PNAS
promete, em suas conclusões, que a descoberta deste novo
alvo terapêutico
pode ser usada pelos
Químicos Medicinais
no desenho e desenvolvimento de novos fármacos para a cura
da malária.
Referências Bibliográficas
McGowan, S.; Porter, C. J.; Lowther, J.; Stack, C. M.;
Golding, S. J.; Skinner-Adams, T. S.; Trenholme, K. R.;
Teuscher, F.; Donnelly, S. M.; Grembecka, J.; Mucha, A.;
Kafarski, P.; DeGori, R.; Buckle, A. M.; Gardiner, D. L.;
Whisstock, J. C.; Dalton, J. P. PNAS 2009,
no prelo [CrossRef]
Universidade de Monash: Monash Newsline, 3
fevereiro de 2009. Disponível em:
<http://www.monash.edu.au/news/newsline/story/1412>.
Acesso em: 8 fevereiro 2009.
Para saber mais sobre desenvolvimento de fármacos e a
Química Medicinal:
Barreiro, E. J. Rev. Virtual Quim, 2009,
1(1), 26. Disponível em: <http://www.uff.br/rvq>.
Acesso em: 8 de fevereiro de 2009.
Lima, M. L.; Lima, N. L. Rev. Virtual Quim,
2009, 1 (1), 35. Disponível em: <http://www.uff.br/rvq>.
Acesso em: 8 de fevereiro de 2009.
Para citar esta matéria:
Epifanio, R. de A., Descoberto um novo alvo terapêutico para
o tratamento da malária, Novidades na Ciência – SBQ
Rio, 10 fevereiro 2009. Disponível em: <http://www.uff.br/sbqrio/>