Entropia
ou Função “S” de Clausius
A entropia ou função “S” foi introduzida em 1865 por
Clausius e é uma grandeza termodinâmica que mede a organização de um
sistema. Um sistema organizado apresenta baixa entropia enquanto um sistema
desorganizado apresenta elevada entropia.
Observe os seguintes fatos:
a)
derreter gelo num copo d’água.

b) abrir uma torneira que liga dois recipientes sendo um com gás e outro
tendo vácuo.

Observa-se na prática que os fenômenos inversos não ocorrem
espontaneamente. Mas, por quê?
A resposta é dada pelo 2º Princípio da Termodinâmica que
diz:

Em Física
temos:

A tendência
espontânea dos sistemas é de adquirir MAIOR ENTROPIA:

IMPORTANTE
1) Uma
substância no estado cristalino tem entropia mais baixa, pois, no cristal,
as moléculas ou íons estão ordenados geometricamente nos nós do retículo.
2) Uma
substância no estado líquido tem entropia maior que no estado sólido,
porque, no estado líquido as partículas estão distribuídas ao acaso
(desordem).
3) Uma
substância no estado gasoso tem entropia maior que no estado líquido.
Logo, ficamos com:

4) A dissolução de um sólido em um determinado líquido se
faz com aumento de entropia, pois as moléculas ou íons do sólido ficam
caoticamente distribuídos no solvente passando a um estado mais
desorganizado.
5) A mistura de dois gases também desorganiza o sistema e
aumenta sua entropia. Imaginemos a saída de um estádio de futebol.
Praticamente seria impossível obter espontaneamente uma saída organizada, a
tendência é ocorrer a mais desorganizada possível, ou seja, a de máxima
entropia.
Portanto
podemos concluir que:

ENERGIA
LIVRE OU DE GIBBS
A variação de energia de uma transformação que é utilizável
ou disponível para realizar um trabalho, damos o nome de variação de
energia livre (∆G).
Imagine, por exemplo, uma reação que libera calor
(energia). Se uma parte dessa energia for gasta no trabalho de pôr em
ordem as moléculas finais da reação, sobrará apenas a diferença da energia
para realizar algum trabalho que nos seja útil.
Como é calculado o trabalho para colocar as moléculas em
ordem?
Todos nós sabemos que colocar as coisas em ordem – arrumar
os móveis de uma sala, os livros numa prateleira, etc. – dá trabalho, ou
seja, gasta energia. Desta forma, alguns cientistas calcularam que para
arrumar as moléculas se gasta uma energia de organização, que é igual
ao produto da temperatura absoluta pela variação de entropia sofrida pelo
sistema: T . ∆S.
Resumindo temos:
Energia liberada pela reação: ∆H
Energia gasta na organização: T . ∆S
Saldo de energia aproveitável: ∆H – T . ∆S
Esse saldo é
denominado ENERGIA LIVRE (ou Energia de Gibbs ou Energia Útil), e é
representado por ∆G:

Exemplo:
H2(g) + ½ O2(g)
H2O(
)
Em que: ∆H = - 68,3
kcal/mol e ∆S = - 39 kcal/mol
O que nos permite
calcular:
- A energia liberada na
reação: ∆H = - 68,3 kcal/mol = - 68.300 cal/mol
- A energia gasta para
montar as moléculas de H2O e agrupá-las no estado líquido:
T . ∆S = 298 . (- 39) = - 11.622 kcal/mol
- Saldo de energia (energia
útil para realizar trabalho):
∆G = ∆H – T . ∆S
∆G = - 68.300 + 11.622
∆G = - 56.678 kcal/mol
Graficamente,
temos:
ESPONTANEIDADE DE UM
PROCESSO
Dois fatores vão dizer se
um processo é espontâneo ou não:
a) Os
sistemas tendem para um estado de mais baixa energia.
Tendência: ∆H = – ou HP < HR
b) Os sistemas tendem para um estado de maior desorganização.
Tendência: T . ∆S = +
Variação de energia livre
(∆G ou ∆F) é o balanço entre essas duas variações.
∆G = ∆H – T . ∆S
Transformação espontânea (∆G < 0)
A energia livre diminui.
A transformação é capaz de libertar energia útil (reação
exergônica).

Transformação não espontânea (∆G > 0)
A energia livre aumenta.
A
transformação não é capaz de libertar energia útil (reação endergônica). A
transformação só é possível pelo fornecimento de trabalho ao sistema.

Equilíbrio químico (∆G = 0)
Como ∆G = 0, logo ficamos com: ∆H = T . ∆S
Isto significa que o processo não evolui.
De um modo geral, analisando a fórmula:
∆G
= ∆H – T . ∆S
Podemos concluir que qualquer sistema tende para um
mínimo de entalpia (∆H mais negativo possível) e para um máximo de
entropia (∆S mais positivo possível).
Com isso
ficamos com:

IMPORTANTE
- Tanto as reações exotérmicas como as endotérmicas poderão
ser espontâneas dependendo do sinal de ∆G e não do ∆H.
- |∆H|é grande e pouco afetado pela temperatura.
- |∆S|é pequeno e pouco afetado pela temperatura.
Sendo assim:
- Em temperaturas (T) baixas, T . ∆S influi
pouco; ∆H torna-se dominante e ∆G tem o mesmo sinal de ∆H; nesse caso, uma
reação exotérmica (∆H < 0) tem muita possibilidade de ser espontânea (∆G <
0).
- Em temperaturas (T) altas, T . ∆S aumenta,
podendo inclusive acontecer |T . ∆S| > |∆H|; por este motivo, muitas reações
“tornam-se espontâneas em temperaturas altas.
Exemplo:
C(grafite) + 2 S(rômbico)
CS2(g)
Nessa reação temos:
∆H = + 27.500 cal/mol
∆S = + 40,2 cal/K . mol
Em temperatura ambiente: 25ºC (298 K)
Sabendo que: ∆G = ∆H – T . ∆S
Substituindo os dados na fórmula teremos:
∆G = 27.500 – 298 . 40,2
∆G
= + 15.520 cal/mol
O valor ∆G > 0 mostra definitivamente que a reação não é
espontânea.
Entretanto, em temperaturas superiores a 412ºC (685 K)
temos:
T . ∆S = 685 . 40,2 = + 27.537 cal/mol
Este valor supera o ∆H = + 27.500 cal/mol, tornando o ∆G <
0 e, conseqüentemente, tornando a reação espontânea.
Resumindo temos:
- quando ∆H for negativo e ∆S positivo, a reação será
sempre espontânea.
- quando ∆H for negativo e ∆S negativo, a reação só será
espontânea em temperaturas baixas.
- quando ∆H for positivo e ∆S positivo, a reação só será
espontânea em temperaturas altas.
- quando ∆H for positivo e ∆S negativo, a reação nunca será
espontânea.
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04/03/19