PROFESSOR

PAULO CESAR

PORTAL DE ESTUDOS EM QUÍMICA
 

DICAS PARA O SUCESSO NO VESTIBULAR: AULA ASSISTIDA É AULA ESTUDADA - MANTER O EQUILÍBRIO EMOCIONAL E O CONDICIONAMENTO FÍSICO - FIXAR O APRENDIZADO TEÓRICO ATRAVÉS DA RESOLUÇÃO DE EXERCÍCIOS.

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atomFÍSICA NUCLEARatom

 

Fórmula Semi-Empírica da Energia de Ligação

     Com o passar do tempo e na ausência de uma teoria detalhada para descrever a estrutura nuclear, vários modelos foram desenvolvidos, cada qual correlacionando os dados experimentais de um conjunto mais ou menos limitado de fenômenos nucleares.
     Entre os modelos formulados estão o modelo de gás de Fermi, o modelo uniforme, o modelo de partícula a, o modelo da gota líquida e o modelo nuclear de camadas.
     Com o modelo da gota líquida foi desenvolvida a seguinte fórmula semi-empírica para o cálculo da energia de ligação nuclear:

     E = av A - ac Z ( Z - 1 ) A-1/3 - as A2/3 - ar ( A - 2Z )2 A-1 + api A-1

onde um dos possíveis conjuntos de valores (em MeV) para as constantes av, ac, as, ar e api, obtidos por ajustes de curvas experimentais, é o seguinte.

     av = 14,0
     ac = 0,584
     as = 13,1
     ar = 19,4
     api = 135 d



com d = +1 para núcleos par-par (Z par e N par), d = 0 para núcleos par-ímpar (Z par e N ímpar ou Z ímpar e N par) e d = -1 para núcleos ímpar-ímpar (Z ímpar e N ímpar).
     O primeiro termo do lado direto da expressão dada corresponde ao termo de volume, proporcional ao número de núcleons A, e está associado ao fato de ser mais ou menos constante a energia de ligação por núcleon ou, o que dá no mesmo, ao fato de que cada núcleon interage apenas com um número limitado e fixo de outros núcleons.
     O segundo termo corresponde ao termo coulombiano, associado à repulsão eletrostática entre os prótons do núcleo, e aparece com o sinal negativo porque o efeito de repulsão tende a diminuir a energia de ligação.
     Como os prótons interagem aos pares, esse termo é proporcional ao número de pares de prótons do núcleo, Z ( Z - 1 ), e como a interação é tanto menor quanto maior a distância entre os prótons, esse termo é inversamente proporcional ao raio do núcleo, ou seja, inversamente proporcional a A1/3.
     O terceiro termo corresponde ao termo de superfície e está associado ao número de núcleons da superfície do núcleo. Se os núcleons do interior do núcleo interagem com um dado número de outros núcleons, os núcleons da superfície interagem, em média, com a metade desse número.
     Como se considerou, no primeiro termo, que todos os núcleons interagem com igual número de outros núcleons, deve-se descontar um termo proporcional ao número de núcleons da superfície ou à área da superfície, ou seja, ao quadrado do raio, A2/3.
     O quarto termo corresponde ao termo de simetria. Para um dado valor de A, existe um valor de Z que corresponde ao núcleo mais estável.
     Para núcleos pequenos, onde o efeito da repulsão coulombiana é pequeno, esse valor é Z = A / 2 ou 2Z = A. Assim, na ausência da repulsão coulombiana, valores de A diferentes de 2Z levam a menor estabilidade, ou seja, a um valor menor para a energia de ligação nuclear e esse efeito é representado, então, por ( A - 2Z )2.
     O quadrado serve para garantir que tanto e excesso de nêutrons quanto o excesso de prótons levem a uma menor estabilidade.
     E como esse efeito deve ser cada vez menor com o aumento do tamanho do núcleo, ele deve ser inversamente proporcional ao número de núcleons, ou seja, inversamente proporcional a A
     Finalmente, o quinto e último termo, corresponde ao seguinte efeito. Dos núcleos estáveis, aqueles com número par de prótons ou com número par de nêutrons são os mais abundantes e, presumivelmente, os mais estáveis. Núcleos com número ímpar de prótons ou com número ímpar de nêutrons são os menos estáveis.

     Decaimento b

     A fórmula semi-empírica da energia de ligação nuclear permite, entre outras coisas, a discussão da estabilidade dos núcleos isóbaros e do decaimento b.
     Como primeiro exemplo, sejam os seguintes núcleos isóbaros com número de massa A = 73 (ímpar): zinco, gálio, germânio, arsênico e selênio, cujas energias de ligação (em MeV) aparecem na tabela a seguir. Nessa tabela aparecem, também, os correspondentes valores absolutos (em MeV) dos vários termos da fórmula semi-empírica da energia de ligação.


 

Elemento
73Zn30
73Ga31
73Ge32
73As33
73Se34
av A
1022,000
1022,000
1022,000
1022,000
1022,000
ac Z ( Z - 1 ) A-1/3
121,579
129,964
138,628
147,572
156,795
as A2/3
228,818
228,818
228,818
228,818
228,818
ar ( A - 2Z ) 2 A-1
44,912
32,156
21,526
13,022
6,644
api A-1
0,000
0,000
0,000
0,000
0,000
E
626,691
631,062
633,028
632,588
629,743


     O gráfico da energia de ligação em função de Z é uma parábola. O núcleo de germânio 73 é o mais estável porque tem a maior energia de ligação e aparece mais próximo do vértice da parábola.

 

     Os isóbaros com número atômico menor que o número atômico do isóbaro mais estável (ramo esquerdo) decaem por emissão de um elétron (decaimento b-):

     73Zn30 73Ga31 73Ge32 (estável)

     Em termos dos núcleons, o decaimento b- é a transformação de um nêutron num próton, com a emissão de um elétron e um antineutrino:

     n p + e- + n*

     Analogamente, os isóbaros com número atômico maior que o número atômico do isóbaro mais estável (ramo direito) decaem por emissão de um pósitron (decaimento b+) ou por captura K ou por ambos:

     73Se34 73As33 73Ge32 (estável)

     Em termos dos núcleons, o decaimento b+ é a transformação de um próton num nêutron, com a emissão de um pósitron e um neutrino:

          p n + e+ + n

     A captura eletrônica é a captura, pelo núcleo atômico, de um elétron orbital. Se um elétron da camada K é capturado, o processo é chamado captura K. Elétrons de outras camadas podem ser capturados, mas com probabilidades menores.
     Em termos elementares, a captura eletrônica fica:

          p + e- n + n

     Para isóbaros com número de massa A par, a discussão é um pouco diferente por causa do termo par-ímpar da fórmula semi-empírica da energia de igação. Esse termo é positivo para núcleos par-par e negativo para núcleos ímpar-ímpar, de modo que existem duas parábolas.
     Como exemplo, sejam os seguintes núcleos isóbaros com A = 64 (par): cobalto,níquel, cobre, zinco e gálio, cujas energias de ligação (em MeV) aparecem na tabela a seguir. Nessa tabela aparecem, também, os correspondentes valores absolutos (em Mev) dos vários termos da fórmula semi-empírica da energia de ligação.


 
Elemento
64Co27
64Ni28
64Cu29
64Zn30
64Ga31
av A
896,000
896,000
896,000
896,000
896,000
ac Z ( Z - 1 ) A-1/3
102,492
110,376
118,552
127,020
140,306
as A2/3
209,600
209,600
209,600
209,600
209,600
ar ( A - 2Z ) 2 A-1
30,313
19,400
10,913
4,850
1,213
api A-1
(-) 2,109
(+) 2,109
(-) 2,109
(+) 2,109
(-) 2,109
E
551,486
558,733
554,826
556,639
542,772


     Os gráficos da energia de ligação em função de Z são duas parábolas. A parábola inferior corresponde aos núcleos ímpar-ímpar e a parábola superior, aos núcleos par-par.

 

     Portanto, os primeiros são instáveis em relação aos segundos.
     Pela curva correspondente aos núcleos par-par pode-se observar que existem dois isóbaros estáveis com números atômicos diferindo por duas unidades.
     Os núcleos com Z menor do que o Z do estado mais estável decaem por emissão de elétron (decaimento b-) e os núcleos com Z maior que o Z de um dos núcleos mais estáveis decaem por emissão de pósitron (decaimento b+), captura K ou ambos.
     O isóbaro mais próximo do vértice da parábola ímpar-ímpar (o núcleo de cobre) pode decair por b-, b+ ou captura K.

Física Nuclear

 

 

 

 

 

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Este site foi atualizado em 02/02/11